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NOTA: 8 / Nathalia Barbosa

Um Dia Perfeito, longa metragem do diretor espanhol Fernando Léon Aranoa, tenta dar ao espectador a verdadeira sensação de estar na guerra,  desenvolvendo sua narrativa na região dos Balcãs, em 1995.

O conflito proveniente do desmembramento da antiga Iugoslávia  serve como pano de fundo para as ações dos personagens atuantes da Aid Across Borders (Auxílio Além das Fronteiras). Entre eles estão Mambrú, chefe de segurança da base (Benicio Del Toro) e Sophie (Melánie Thierry), nova sanitarista na missão,  que possui forte ímpeto em resolver as situações diversas.

A cena inicial resume todo o filme. Com um contra-plongée partindo de dentro de um poço, há o contraste de um corpo moribundo sendo puxado da escuridão para a luz, presente na área externa. Tal é a representação do final da guerra, rumo ao momento de paz que todos esperam, sendo esta simbolizada pela forte iluminação presente em quase toda a fotografia do longa.

Mambrú e sua equipe, composta, além de Sophie, por B (Tim Robbins) e o intérprete Damir (Feda Stukan) não conseguem retirar o corpo devido à falta de material necessário. Com muita insistência de Sophie que, além de pensar na guerra, tenta prevenir os problemas após esta, o grupo vai em busca de uma corda para a retirada do cadáver e limpeza do poço, já que o abastecimento de água passa a ser um dos principais problemas da região.

Nesse ínterim, conhecem Nikola, uma criança moradora da região. A partir daí, fica óbvia a abordagem do filme: ao contrário de sequências sensacionalistas com alto índice de violência física, vemos estados emocionais confusos devido à subjetividade da guerra e rupturas de famílias, com mortes causadas por conflitos entre diferentes grupos étnicos.

Apesar do caráter dramático em meio ao humor sarcástico de B, talvez insensibilizado pela guerra, temos uma trilha sonora forte que, com vários hits do rock, vai desde o clássico “Pinhead”, do Ramones, até várias músicas de Lou Reed.

A trilha sonora realizada por Arbau Bataller é a única que nos envolve confortavelmente, apesar do “barulho” do rock agitado. De resto, o que temos é uma enorme sensação de desamparo que toma espaço lentamente pelo filme quase sem ação ao contrário de outras produções sobre a guerra. Diferentemente do que pensamos sobre as missões de paz, o filme propõe uma visão diferente por meio de impasses burocráticos, intolerância e mágoas presentes em quem participou da guerra e sofreu com ela. Por isso, algo mínimo, que pode ser considerado como contratempo para a maioria das pessoas, passa a ser a causa principal de um dia perfeito na vida de quem teve seu mundo quase devastado pela rivalidade e pelo conflito.

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