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NOTA: 8,5 / Nathalia Barbosa

Steven Spielberg fazendo filme sobre fantasia já é costume, mas uma adaptação de um dos livros de Roald Dahl, escritor britânico de clássicos infanto-juvenis, adiciona ainda mais tradicionalidade à nova obra do diretor, “O Bom Gigante Amigo”.

Anteriormente, com maestria, Wes Anderson fizera empreitada semelhante com Dahl em “O Fantástico Senhor Raposo”, adotando a técnica de stop motion. Desta vez, Spielberg continua com seu usual diretor de fotografia Janusz Kaminski, abusando de efeitos especiais e cores vivas para dar um tom mágico à atmosfera do longa, com Mark Rylance (Bom Gigante Amigo) e Jemaine Clement (gigante líder) praticamente irreconhecíveis em seus personagens por um abundante uso de motion tracking.

A história, como característica típica de Roald Dahl, gira em torno da limitação problemática entre dois mundos: o dos gigantes, sedentos por carne humana, e dos homens, especificamente composto pela população da Inglaterra, onde o filme se passa. Sophie, interpretada por Ruby Barnhill, é uma menina aventureira e que sofre de insônia, constantemente quebrando regras do orfanato onde mora. Em uma noite, a pequena garotinha vai atrás de seu gato no lado externo de seu abrigo e, quando o vento bate nas cortinas e desarruma seu curto cabelo, há o prenúncio do que virá no filme: sua vida é totalmente bagunçada quando descobre BGA, um gigante bonzinho e orelhudo que sopra sonhos pela cidade quando todos estão dormindo.

Com movimentação de câmera constante e luz e sombra realçadas ao extremo em cada sequência, há a imersão em um mundo que, com a perspectiva dos objetos de Sophie, há coisas enormes e incompreensíveis para os seres-humanos, como a linguagem estranha e divertida do novo amigo. Desajeitado e nanico para outros gigantes da “Terra dos Gigantes”, o Bom Gigante Amigo é refém de piadas por causa de seu tamanho e de seu caráter inofensivo. Ainda, o amigo de Sophie é o único vegetariano do lugar e esconde um segredo que o desestimula a manter laços com humanos.

Para deter a maldade dos gigantes e impedi-los de raptar crianças do orfanato, Sophie e seu companheiro pedem ajuda à Rainha da Inglaterra (Penelope Wilton), gerando cenas engraçadas causadas pelo estranhamento ao comportamento sem etiqueta e espontânea da novidade no Palácio Real. Logo, há a brincadeira com o ditado “tamanho não é identidade”, levando o espectador a refletir sobre questões simples, mas, diversas vezes, esquecidas dos contos infantis.

Não há muita inovação no filme, mas vale a pena se divertir observando a linda relação entre dois sujeitos peculiares de diferentes atmosferas. O Bom Gigante Amigo, com suas enormes orelhas, consegue ouvir todo o sussurro secreto do mundo, revelando enorme sensibilidade para todas as coisas, e Sophie ignora as dessemelhanças físicas, enfatizando aspectos subjetivos, dons raros em nossa sociedade que servem de moral da história.

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