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NOTA: 7 / Por Nathalia Barbosa

O cinema parece uma eterna imitação de si mesmo, com remakes dominando, cada vez mais, as salas de exibição. Com Ben-Hur não é diferente. As adaptações do best-seller escrito por Lew Wallace – no total, três  –  poderiam ter sido finalizadas com o sucesso do filme de 1959, dirigido por William Wyler, que bateu recorde ao arrebatar onze Oscar. Porém, o diretor russo Timur Bekmambetov quis ir além: com a tecnologia evoluída do cinema, reconta, em seu novo filme, a história épica entre os irmãos Messala (Toby Kebbel) e Judah Ben-Hur (Jack Juston) com corridas de bigas e todo o gosto por sangue dos romanos em 3D e efeitos especiais mais sofisticados.

Acontece que Bekmambetov e os roteiristas Keith Clarke e John Ridley esqueceram de desenvolver a história com continuidade lógica. O que temos são fusões confusas que parecem ter sido jogadas para solucionar a falta de criatividade – ou necessidade de encurtar o tempo do filme – em fazer um longa bem embasado sobre um conflito histórico e ideológico – no enredo que se passa 33 d.C – sem perder o entusiasmo do público por causa de uma maior complexidade.

Messala, um romano adotado pela família de Judah, busca honra e glória para assumir uma identidade própria, desprendendo-se da linhagem judaica adotiva a fim de conseguir ficar junto de sua irmã de criação, Tirzah (Sofia D’Elia). Com esse propósito, afasta-se de seus parentes e consegue ascensão no exército romano com importantes vitórias, sem deixar de lado seu interesse em reconciliação com as cidades que invade, incluindo Jerusálem. Com contratempos, Messala decide acatar a postura rígida e autoritária que o exército lhe exige, traindo sua família e levando Ben-Hur à pior situação como escravo de Roma por uma causa injusta.

Todos esses impasses alimentam o desejo de vingança de Judah, que encontra apoio no africano rico e interessado na queda dos romanos, Sheik Ildarin, interpretado por Morgan Freeman, que empresta ao filme sua voz de juízo final e sabedoria. Nesse espírito religioso, uma das figuras mais marcantes da nova adaptação é Rodrigo Santoro no papel de Jesus, dando um tom de compaixão e redenção acima da vingança em torno dos irmãos.

O final sintetiza bem a intenção do diretor Timur em experimentar uma nova abordagem com aspectos ressaltados por meio das ações de Jesus, ponto alto do filme. Por outro lado, peca em erros de montagem que tiram a consistência do romance de Wallace e desaponta, extremamente, com um desfecho que coloca todos os acertos de Ben-Hur a perder por causa de um erro bobo ao colocar uma música que não se encaixa com a última cena – e nem com alguma parte da produção – de nenhuma forma. Não superará, nem chegará perto, à maestria da obra de Wyler, mas, saindo do campo de comparações, é bom na dinamicidade em um tempo econômico e pode ser um bom caminho para pensarmos a necessidade – ou falta dela – em repetir adaptações para o cinema.

 

 

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