nerve

NOTA: 7 / Esperanza Mariano

Baseado no livro de Jeanne Ryan e dirigido pelos criadores de “Catfish” (2010), Henry Joost e Ariel Schulman, “Nerve: Um Jogo Sem Regras” é um filme que faz a audiência questionar todo o seu comportamento na internet de forma realista, crua e provocadora.

“Are you a watcher or a player?”, é assim que somos introduzidos ao universo de Nerve. Em uma realidade basicamente idêntica à nossa, jovens viciados em compartilhar suas vidas na internet e que buscam cada vez mais por formas de exposição e exibicionismo, tornam um jogo bem parecido com verdade ou desafio (sem a parte da verdade) viral na rede. Apesar de não ser legalizado, “Nerve” tem uma audiência absurda e é dividido em dois grupos: os observadores e os jogadores. O primeiro grupo paga uma taxa diária para assistir aos jogadores em tempo real e sugerir desafios, enquanto o segundo grupo aceita os desafios e, caso os complete com sucesso, recebe uma recompensa em dinheiro.

Vee (Emma Roberts) é a típica garota tímida e apagada da escola e sua melhor amiga, Sydney (Emily Meade), é a garota mais popular e famosa jogadora do Nerve. Após um desentendimento com a amiga, Vee decide se tornar uma jogadora também e não demora a se tornar tão viral quanto sua amiga. O primeiro desafio, beijar um estranho, faz com que observadores peçam para que Vee passe a jogar com Ian (Dave Franco) e logo os dois estão completamente imersos naquela realidade, reféns dos observadores e seus desafios perversos e sádicos.

É impossível não deixar de associar Nerve com o recém-lançado Pokémon Go. A ideia é basicamente a mesma, assim como a reação dos jogadores, que saem pela cidade procurando Pokémons sem pudor algum (alguém ainda se lembra do caso em Nova York?). O timing não poderia ser mais perfeito.

Em geral, o filme é um bom thriller para jovens, com ótimas imagens (uma pegada bem parecida com Tron, de 2010), atuações lineares e convincentes e um ótimo ritmo. O maior defeito do filme, no entanto, é o final clichê e imaturo, que não combina com toda a provocação e crítica que o roteiro vinha tentando passar ao longo dos seus 96 minutos.

Anúncios