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NOTA: 8 / Nathalia Barbosa

Para alguém que vai assistir à Comunidade, é possível imaginar algo perto dos ideais contraculturais da década de 70, época na qual o filme se ambienta. Porém, sem muitos aspectos políticos, o filme do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg foca no plano subjetivo de dividir experiências da vida cotidiana com outras pessoas fora do parentesco sanguíneo.

A jornalista Anna Moller (Trine Dyrholm), esposa do arquiteto Erik (Ulrich Thomsen), mora em uma enorme casa do conjugue com sua filha Freja (Martha Hansen). Cansada do caráter metódico do marido, propõe a criação de uma comunidade que, além de arcar com as grandes despesas, proporcionará uma experiência inovadora. Com entrevistas a possíveis moradores sem muita organização, a casa passa a ser habitada por diversos tipos de pessoa, desde o comunista radical Ole (Lars Ranthe) até Mona (Julie Vang), a personificação da cultura de “paz e amor”.

Com banhos coletivos ao lago pelados, comemorações à mesa do jantar com espaço de fala a cada morador, apesar de aparentar que a nova organização da casa dará certo, há uma reviravolta causada por Emma (Helene Neumann), aluna de Erik que compõe um triângulo amoroso ao longo do filme e que tentará achar seu espaço na comunidade.

Mesmo não tendo um roteiro inovador, é interessante como tantas personalidades diferentes colocadas em uma casa conseguem apresentar situações que, apesar de parecerem inusitadas, podem estar presentes na vida de qualquer sujeito, como a loucura após uma separação, a perda de um emprego, a morte de um ente querido ou as dificuldades de alguém sensível e que esbarra barreiras para socializar.

O tom intimista do longa, combinado a uma fotografia delicada e cores frias, é o que faz o espectador se sentir tocado de uma forma, digamos, meio boba. Em alguns momentos, a narrativa é tão detalhada que chega a alongar demais de um jeito dispensável, sendo um pouco cansativo. Podemos dizer que é mais um filme europeu que fala sobre coisas negligenciadas na simplicidade da vida, mostrando que elas não são tão triviais como costumamos julgar.

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