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NOTA: 9 Por Caio César

Cercado de expectativa (minha mesmo), após o lançamento do seu trailer há seis meses atrás, o novo longa do diretor uruguaio Fede Alvarez, que mais uma vez aposta no suspense e no gore para filmar seu roteiro original, chega aos cinemas em uma temporada de blockbusters fracassados e, surpreendentemente, é um filmaço!

A história é simples e resumida em quatro personagens principais: um trio de assaltantes de casas nos Estados Unidos, que sempre se cercam de limites de roubo para não serem pegos como ladrões qualificados – e consequentemente terem sentenças maiores na prisão. Eles decidem assaltar um homem cego, reformado do exército, achando que seria um golpe fácil. O que não imaginam é que o tal cego esconde muito mais do que eles parecem saber sobre ele.

Concentrado em seus personagens (e à serviço deles), o diretor comanda o longa com mão firme, investindo, no primeiro terço da projeção, em uma apresentação estilizado da casa do homem – algo que se torna ainda mais interessante caso você, como eu, assista ao filme mais de uma vez, já que se torna possível constatar o desfile da câmera por cada ponto-chave da narrativa, em um prenúncio do que nos aguarda.

Fede é um pupilo do diretor Sam Raimi, tendo dirigido a bem sucedida reimaginação de A Morte do Demônio, que fez muito barulho (e muita sujeira com todos os seus milhões de litros de sangue falso) em 2014. Embora não invista tanto no humor, como “Arrasta-me para o Inferno”, de Raimi, é possível identificar uma vocação para entreter a audiência, investindo em soluções narrativas que deixam o espectador grudado na cadeira.

Parte do sucesso tem muita relação com a entrega da competente Jane Levy, a protagonista Rocky, cujo roteiro adora levar até o limite de sua resistência (de maneira muito similar à quando ela foi a protagonista de “A Morte do Demônio). Sua carga dramática emprega um peso ainda maior a personagem e suas escolhas a aproximam mais do público que assiste ao longa. Seu parceiro Dylan Minette, que estrelou Goosebumps dia desses, não compromete, mas nas cenas de suspense parece sempre estar um tom acima do elenco, com caras e bocas forçadas demais para a sobriedade da linguagem cinematográfica.

Stephen Lang, como o homem cego, está perfeito no filme, conferindo uma força física que contrasta o tempo inteiro com sua fragilidade. E ainda que tenha poucos diálogos, sua presença assustadora de tela é uma das melhores coisas do filme. Suas cenas também são pontuadas por recursos interessantes de montagem de som, já que este é o seu sentido mais apurado, devido à perda de visão.

Inteligente, bem produzido e com uma carga de tensão que atrai a atenção do público até o último frame, “Don’t Breathe” é um respiro bem vindo em um ano protocolar do cinema de horror – conduzido por um diretor que se afirma como um grande realizador, capaz de produzir obras com um ótimo apelo, sem perder a originalidade.

 

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