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NOTA 5 / Caio César

O título brasileiro deste filme cita a herança de sangue entre um pai e sua filha. Entretanto, “herança” pode ser a palavra mais bem adequada para descrever o desenvolvimento do longa – e a sua assimilação pelo público.

Pois veja bem: Mel Gibson ainda é um baita ator de ação. O que, sinceramente, me parece uma surpresa. Persona non grata em muitos ambientes de Hollywood por causa de sua vida pessoal conturbada, ele parece trilhar o caminho da redenção com sua atuação no filme (ainda que ela seja, de longe, a melhor coisa da produção). Entretanto, a herança da qual falávamos, para além deste background, acontece por meio de homenagens quase explícitas ao passado cinematográfico de Gibson – ajudando o púbico à se afeiçoar a sua jornada.

O filme conta a história de Link, um veterano convicto de seus erros, afogado no vício do álcool, mas que em determinado ponto, deseja redenção. Seu maior motivo de falta de paz é o sumiço de sua filha. Quando ela reaparece, os dois miram na paz pessoal através da vingança por aqueles que os fizeram mal. Até aí, apenas clichês do gênero. O problema é que, infelizmente, o filme não avança.

Embora produzido por nomes indicados ao Oscar e por contar com a delicada (mas irregular) direção de Jean-François Rinet, o filme falha em sua narrativa, o que acaba por prejudicar até mesmo as atuações inspiradas de William H. Macy, por exemplo. Mas bem sucedido é o trabalho de fotografia, constantemente evocando o clima dos antigos sucessos de Gibson, como Mad Max, em cenas em alta velocidade e com precisão estilística.

Embora melhore no fim do segundo ato, Herança de Sangue nunca consegue fazer jus ao talento que emana de seu protagonista no papel. A atuação insossa de Erin Moriarty, que interpreta sua filha não ajuda nem um pouco, embora tampouco atrapalhe. A embalagem bonita jamais chega perto do resultado final, uma colcha de retalhos enfeitada com um dos maiores astros de ação do cinema.

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