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NOTA: 7 / Por Caio César

Baseado em um clássico americano – que por sua vez é a versão de um filme japônes, chega aos cinemas a nova versão de Sete Homens e Um Destino, dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) e com um elenco multinacional de peso, encabeçado por Denzel Washington.

De cara, chama a atenção a ambientação sóbria e clássica da história. Muito bem auxiliado pela derradeira trilha composta por James Horner, falecido logo após finalizar as canções compostas para o longa. Por outro lado, este clima mais contido faz com que certas intervenções estílicas do diretor saltem aos olhos, por destoar completamente do apresentado até então – principalmente com o uso de slow motion e acrobacias absurdas de seus personagens (ambas utilizadas duas vezes cada, no terço final da projeção).

O roteiro acompanha o personagem principal, Chisolm, um oficial que trabalha como caçador de recompensas e à quem uma jovem recorre depois que seu marido é assassinado por um explorador de terras alheias. É de Denzel a maior responsabilidade dramática no filme e ele é extremamente competente (como o baita ator que é) em fazer com que suas motivações sejam sempre conhecidas do expectador – facilitando assim nossa identificação com um personagem que, no fim, mata por dinheiro.

O elenco é homogêneo e o principal destaque é Chris Pratt, mais uma vez em um tipo engraçadinho, com todo o carisma necessário para compor seu personagem, o interesseiro e beberrão Josh. Ethan Hawke, um pouco sabotado pelo roteiro, também está bom como de costume. O destaque negativo é Peter Sarsgaard, com seu vilão Bartholomew Bogue. Sempre um tom acima de seus colegas, ele nunca consegue imprimir a urgência necessária ao seu personagem, um ambicioso usurpador de terras. O ator atrapalha, mas o roteiro tampouco o ajuda, já que parece ter pouco tempo para desenvolver sua personalidade para além da vilania.

Embora demore muito tempo para engrenar na ação, o roteiro reserva bons momentos para os seus personagens em diálogos intimistas – o que aproxima seu público do longa. Entretanto, quando engrena, as cenas de ação são grandiosas e bem orquestradas – ainda que o ritmo frenético impeça maiores respiros dramáticos em seu desfecho (principalmente um cuidado à conclusão de cada um dos personagens pelos quais estamos torcendo durante a projeção).

Se não acerta o tempo todo, o filme é um bom exemplar de faroeste – um filme contemporâneo, travestido de clássico, mas que em sua essência abraça as convenções do gênero, sem reinventar a roda, tampouco negar suas origens. Um acerto, ainda que com o gostinho de que poderia ter um resultado mais positivo.

 

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