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NOTA: 3 / Por Caio César

Existem dois tipos de sequências: aquelas que os fãs aceitam porque querem ver mais do universo montado no filme original; e aquelas que NINGUÉM PEDIU para acontecerem. Este novo Bruxa de Blair, além de se encaixar neste segundo módulo, é ainda mais problemático porque o filme original é um clássico que, amado por seus fãs, foi precursor de um gênero chamado found-footage, aquelas gravações que foram “encontradas” POR UM DIRETOR DE CINEMA QUE CHAMOU O MONTADOR E TAL E VENDERAM PARA UMA DISTRIBUIDORA QUE DECIDIU LANÇAR UM LONGA MÓRBIDO DE PESSOAS MORRENDO  e montadas como um filme.

É exatamente em tentar reinventar o gênero que o filme peca: não consegue ser original o suficiente para inovar, tampouco faz o arroz com feijão da maneira correta: resulta em um filme insosso que nunca engrena e que apenas consegue resultados minimamente positivos em sua estratégia de tensão quando está livre das afetações e da auto-referência.

O fiapo de história do filme acompanha um grupo de amigos que, motivados por ajudar o irmão da vítima do filme original à encontrar pistas sobre o sumiço da garota. Eles armam uma estratégia para documentar tudo, o que inclui, convenientemente, câmeras auriculares para cada um e até mesmo um drone (!!!!). Obviamente as coisas começam a dar muito errado na floresta, por situações nem sempre muito plausíveis ou explicáveis dentro da “mitologia” criada para aquele universo.

Do elenco irregular, apenas a protagonista feminina, Callie Hernandez, parece ter um pouco mais de talento para o gênero – enquanto todos os outros apresentam tipos aborrecidos e sem nenhum carisma (algo terrível para um filme de horror, já que fazer com que o público se importe pelos herois sofredores é parte crucial para o sucesso do longa).

À medida que o filme cresce a carga de tensão, as coisas parecem começar a melhorar. Mas não dura muito até que soluções bizarras e entediantes (como a mulher que por pouco não é assassinada por um drone possuído pelo cramulhão) catapultem o espectador para muito longe do filme.

Com um desfecho abrupto e sem graça, Bruxa de Blair só diverte minimamente pelo absurdo de suas premissas. Não há terror, apenas sustos sem erro causados pela mistura de som alto e cortes secos e, convenhamos, isto não é atmosfera de terror, é matemática.  Um longa vazio,  esquecível, sem propósito e sem alma: se isso não é obra do mal, não sei o que possa ser.

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