doctor

#falaCaio

NOTA: 8

Marvel Studios estreia, com este Doutor Estranho, o seu décimo-quarto filme. O caminho aberto por Homem-de-Ferro e pavimentado por alguns dos maiores sucessos comerciais dos últimos tempos tornou o estúdio uma máquina infalível de fazer dinheiro – ao passo que jamais descuidou de uma sequer de suas produções.

Entretanto, ao alcançar uma fórmula quase perfeita, ela tende a produzir filmes cada vez mais adequados aos fãs do gênero, travestidos com capas de originalidade que, no fundo, escondem uma repetição assustadora de elementos de tentos anteriores do universo.

O maior êxito deste novo filme, entretanto, é deixar tudo isso muito claro e partir em busca do máximo que se possa fazer dentro dos esquemas impostos pela linha de produção. E isso começa com uma das escalações mais acertadas do seu extenso line-up. O protagonista  Benedict Cumberbatch interpreta o protagonista Stephen Strange em um tom bastante parecido com o de Tony Stark, mas com um pouco mais de doçura.

Ele é auxiliado por um elenco de indicados ao Oscar, cujo maior expoente é, sem dúvida alguma, Tilda Swinton, a Anciã, guia do personagem principal. São delas as melhores cenas do longa, cujo roteiro dá chances para que todos, ainda que o personagem de Rachel MacAdams sejam virtualmente irrelevantes para o sucesso da históia.

A escolha do diretor Scott Derricksson, por mais ”estranha” (desculpem) que possa parecer, também é acertada. Ele, egresso dos filmes de terror e tendo dirigido o bom O Exorcismo de Emily Rose e depois fracassos como O Dia em que a Terra Parou e outras produções ruins, filma a ação com propriedade e desenvolve um senso estético apurado para o longa.

A cena mais característica deste universo louco é, sem dúvida, uma viagem sensorial que o protagonista faz em sua primeira introdução à força com a qual será treinado. Completamente psicodélica, a cena também serve para introduzir ao público as diversas camadas que envolvem a mitologia daquele lugar. Nesse momento, entretanto, é impossível não apontar a inspiração clara em filmes como Matrix A Origem – embora aqui, o resultado das realidades se encontrando seja muito mais artificial (de certa maneira, até propositalmente) do que na obra-prima de Christopher Nolan.

O compositor Michael Giachinno, um dos maiores de sua geração, produz a trilha original do longa em um raro exemplo de boa trilha do universo cinematográfico Marvel. E essa preocupação com as pequenas coisas transforma o filme todo em um ótimo exemplar de divertimento.

O puro escapismo, entretanto, segue a- convenções que, ainda que bem executadas, parecem apontar para um caminho sem retorno de reedições de uma mesma fórmula em uma série de filmes do gênero. Enquanto isso, há muita coisa que faz de Doutor Estranho um êxito particular.

#falaRenato

NOTA: 7,5

Relâmpagos lentamente se cristalizam dentro de grandes formações de nuvens e helicópteros, quase tombados pela tempestade, imobilizados no ar: da varanda do hospital, Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), o Doutor Estranho e a Anciã (Tilda Swinton) encaram o tempo, a eternidade. Filosófica, essa cena é a representação de como são os melhores momentos de “Doutor Estranho”, mais novo filme da Marvel.

Semelhante às outras histórias de origem de super-heróis já narradas anteriormente, este longa segue o molde de sucesso: aqui, o diretor Scott Derrickson emprega a mistura de humor e drama característica do estúdio para narrar a história de Stephen Strange, um neurocirurgião-celebridade que acaba se envolvendo em um acidente de carro gravíssimo que danifica suas mãos e seu psicológico, impedindo-o de trabalhar.

Determinado a retornar, ele busca auxílio nas medicinas alternativas do oriente e acaba encontrando um mundo místico que desafiará seu entendimento sobre si mesmo e sobre a realidade. Esse aspecto mágico presente na premissa, no entanto, é conduzido por Derrickson da maneira mais segura possível.

Ele certamente entrega um filme “redondo”, muito divertido, bem produzido e visualmente bonito mas que sofre da falta de uma certa ousadia. Claramente influenciado por “A Origem”, a originalidade de “Doutor Estranho” é sabotada pela convencionalidade do roteiro. Se o longa inteiro fosse tão destemido quanto a incrível e empolgante sequência em que Strange e seus companheiros atravessam portais ao distorcer a realidade das ruas de Nova Iorque, este seria o melhor filme da Marvel.

Por outro lado, “Doutor Estranho” vence disparado no quesito elenco: é o carisma e o brilho de Benedict Cumberbatch, a elegância e a classe de Tilda Swinton e de Chiwetel Ejiofor, a sensibilidade de Rachel McAdams e o esforço hercúleo desempenhado por Mads Mikkelsen para fazer que o seu vilão (novamente, ponto fraco da Marvel) soe mais do que um mero estereótipo que fazem com que a obra funcione tão bem.

Apoiado por uma ótima trilha sonora de autoria de Michael Giacchino, a diversão proporcionada por “Doutor Estranho” é tão grande que o próprio filme contorna a sensação de déjà vu que provoca. É entretenimento puro; e nos apresenta um personagem e um mundo místico dos quais o público não vai querer se distanciar nem tão cedo.

 

NOTA C2M: 7,8

 

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