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NOTA: 7 / Caio César

Há algo de Brooklyn, filme indicado ao Oscar no ano passado, em Indignação. Ambos são dramas de época que tomam por pano de fundo as conjunturas históricas do momento para tratar da visão individual de um determinado personagem. Entretanto, se no filme estrelado por Saoirse Ronan a atriz estava hipnotizante em tela, Logan Lerman não consegue o mesmo feito neste longa – o que, embora não comprometa o resultado por completo, por vezes torna a história menos profunda do que poderia ser.

O filme constrói sua narrativa a partir de um flash forward de uma cena na Guerra da Coreia para então retornar aos anos 50, onde o jovem Marcus vive em crise para escolher o que vai ser do seu futuro. Ele tem algumas opções: continuar os negócios do pai, um açougueiro da região; ir para guerra, como alguns de seus amigos, e correr o risco de não retornar mais com vida, como aconteceu com um menino do grupo; e estudar bem longe dali, em uma universidade que o permita mudar de vida.

O roteiro, baseado no best seller homônimo, acompanha, então, o rapaz em sua nova vida universitária, morando na faculdade, como é o costume nos Estados Unidos. Ele vai conhecer seus novos colegas de quarto, mas ninguém será mais importante para ele do que a jovem Olivia, por quem se apaixona.

Para um filme que se inicia com uma cena de combate na guerra, o ritmo lento pode causar estranheza ou cansaço, em certos momentos. O desenvolvimento honesto do romance entre os dois, entretanto, agrada, embora Lerman jamais deixe transparecer seus sentimentos de maneira mais verdadeira, em uma interpretação contida e passiva que em muito lembra o seu personagem em As Vantagens de ser Invisível, ainda que suas personalidades sejam muito diferentes – o que pode ser o indicativo de que ele é um ator sem muitos recursos dramáticos.

Sarah Gadon, entretanto, ainda que claramente não seja uma atriz acima da média, consegue transformar sua personagem em uma jovem decidida e forte, ainda que bastante abalada por seu passado trágico – além de ser dona de uma beleza estonteante.

Com uma recomposição de época muito competente pelo design de produção, a direção de James Schamus, estreante, segue sem grandes pontuações estilísticas e com uma sobriedade que ajuda a assimilação do público com o modo de ver a vida de Marcus. Uma menção especial para a direção de atores, muito competente e que tem, justamente,  o único ponto mais fraco em seu protagonista – que só consegue um grande momento na melhor cena do filme: uma conversa dura, em uma cena de cerca de 15 minutos com o diretor interpretado por Tracy Letts.

Indignação é o estudo de uma geração abalada pela guerra e que encontra ecos nos dilemas e problemas de jovens ainda hoje. Embora com alto potencial para um longa que fosse dramaticamente mais atraente, parece ter vocação para ser apenas uma obra bonita, com sentimentos envolvidos, mas inofensiva.

 

 

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