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NOTA: 7,5 / Renato Furtado

Os primeiros incêndios que consomem cada fluxo rebelde de petróleo e se alastram por cada pedaço da grande plataforma de prospecção de petróleo conhecida como Deepwater Horizon anunciam: a destruição e a desolação do Inferno moram logo ali, a um erro humano, movido pela ganância, de distância.

Apesar de todos os engenheiros e de todos os medidores indicarem o contrário, ainda assim a missão de exploração foi levada a cabo. O resultado de tal empreitada equivocada, no fatídico dia vinte de abril de 2010, levou pelo menos vinte pessoas à morte e derramou, nas águas do Golfo do México, uma quantidade de petróleo suficiente para que este evento tenha se tornado um dos piores desastres na história da humanidade.

Caminhando na eterna encruzilhada entre a realidade e a ficção, o cineasta Peter Berg tomou para si o desafio de transportar os horrores da noite do desastre para as telas do cinema. Em “Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”, o diretor renega o retrato sensacionalista, a espetacularização e estrutura um tributo àqueles que que deram suas vidas para salvar o máximo de pessoas à bordo do Deepwater Horizon.

Até chegarmos ao terror, tudo corre lentamente. As duas metades de “Horizonte Profundo”, o antes e o “durante” do desastre”, são como água e fogo, duas narrativas opostas que se complementam de maneira quase paradoxal: a mais nova obra de Berg é como um “blockbuster documental”.

O cineasta nos mostra, aos poucos, o cotidiano do navio: cada pequeno momento, cada conversa e interação entre os trabalhadores embarcados são preciosos. A soma destes instantes é a montagem do cenário de “Horizonte Profundo”: ainda que os personagens sejam arquétipos (o herói, a mulher do herói, o vilão ganancioso etc.), o desenvolvimento das histórias de Mike (Mark Wahlberg), Andrea (Gina Rodriguez) e Jimmy (Kurt Russell) é o suficiente para que o sofrimento deles seja o nosso sofrimento.

O elenco, no fim das contas, formado ainda por John Malkovich e Kate Hudson, é o fio condutor da trama de Berg: ainda que as explosões e a técnica do longa chamem bastante atenção, o verdadeiro mérito de “Horizonte Profundo” é não perder a questão humana de vista, é manter a observação do ser humano perante uma situação trágica em foco.

E, ainda que Berg acabe fugindo de um debate político mais aprofundado, não fortalecendo a crítica às ações dos “engravatados” que, desejosos por lucro, foram os responsáveis indiretos pela morte um ecossistema e de diversas pessoas, “Horizonte Profundo” é um filme forte, emotivo e angustiante; um registro da trajetória do ser humano em meio aos infernos que causamos.

 

 

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