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NOTA: 7 / Nathalia Barbosa

Letras sem sentido, esquisitices, espetacularização da bad e do estranho, Twitter, Youtube, música. Tudo isso, você encontra na comédia hipster “Frank”: um longa de humor sutil, com um pouco de drama, do diretor irlandês Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack; Adam & Paul).

O começo do filme mais parece o clipe “Yellow”, do Coldplay. Tudo é meio morrinha e a fotografia com tons frios parece ter antecipado os filtros do Instagram. Porém, não deixa de ser bom. É como o Lollapalloza: pode até ser legal para um público muito específico, mas nada muito além disso. Agora vamos à história?

O enredo se desenrola a partir de Jon Burroughs (Domhnall Gleeson), um músico que não tem muita bagagem fonográfica por não superar as barreiras de sua falta de criatividade. No momento certo e na hora certa, ele presencia a tentativa de afogamento do tecladista Lucas, após um desentendimento interno da banda na qual faz parte, os Soronprfbs (Baraque, Clara, Don, Frank, Nana). Jon logo se oferece para preencher a vaga no show que acontecerá à noite e é aceito.

Surpreendentemente, essa é a banda de Frank (Michael Fassbender): uma criatura estranha que nunca tira uma enorme cabeça artificial, tendo uma voz abafada. É por meio dele, então, que vemos uma ironia à imagem do gênio e das bandas indie acontecer ao longo da narrativa.

O grupo vai para um retiro em Vetno, na Irlanda, para gravar um álbum. Jon acredita que todos são grandes experimentalistas, mas o que percebemos não é bem isso. Cada um apresenta um transtorno que está longe de contribuir para as criações de música. Clara, por exemplo, sempre surta no meio das gravações e apresentações. A baterista e o baixista são tão indiferentes, fazendo jus à imagem do “cool” alternativo, que nunca opinam de forma construtiva nas composições. Don, na verdade, só pensa em músicas que tentam romantizar seu transtorno mental que procura superar e Frank… Talvez ele realmente tenha um dom musical, mas, por estar em uma banda composta por membros que valorizam a vontade própria e expressão de qualquer coisa que lhes vier à cabeça, não há trabalho que surja da irregularidade de quem está focado em ser super diferente da sociedade de uma forma boçal.

Frank seria poético por ter aprendido com uma árdua luta da infância para superar algum tipo de pobreza material e emocional? Clara seria uma nova Syd Barrett? É isso que ficamos intrigados para saber se há algo natural, como um dom para música, ou se é apenas vontade de fazer o que quiserem como crianças mimadas. De qualquer forma, Jon documenta todas as confusões e processos idiotas considerados como “criativos” no Youtube e no Twitter. Ironicamente, como muita banda que não apresenta o mínimo de qualidade e compromisso com os fãs, mas é superestimada, os Soronfprbs começam a fazer sucesso pelos seus fiascos e fracassos.

Em suma, não há muita coisa para dizer sobre um filme que não provoca grandes reflexões para além do que as pessoas consideradas como haters costumam dizer: ”- essa banda é uma merda!”. Mas é importante para desconstruirmos essa ideia de gênio criativo que pode fazer o que quiser e, ainda, romantizar transtornos mentais e falta de empatia. Além disso, como uma discussão atual, percebemos que é muito fácil conseguir audiência pelo que é sem sentido nas redes sociais do que pelas coisas que realmente apresentam algo inovador e criativo. Frank mostra alguém sensível demais que precisa de ajuda, consegue ver poesia nas coisas mais simples e improváveis, mas que ninguém tá nem aí para o sofrimento alheio; apenas quer rir ou quer uma boa audiência nas redes sociais.

*A conta do twitter @JonBurroughs83 realmente existe

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