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Renato Furtado

A corrida pelo Oscar de Melhor Documentário é, normalmente, uma das competições mais empolgantes, inusitadas e repletas de indicados criativos e distintos entre si de uma das maiores premiações do mundo cinema. É nela que se confrontam biografias de grandes personalidades e de personagens peculiares, filmes políticos e contundentes e/ou ensaios sobre os mais diversos assuntos. No entanto, tudo indica que 2017 será diferente.

Se no ano passado “Amy” e “What Happened Miss Simone” (sobre as cantoras Amy Winehouse e Nina Simone, respectivamente) foram alguns dos filmes mais comentados da categoria, em 2017 há uma enorme probabilidade que quase todos os indicados sejam filmes estritamente políticos. Por isso, vamos às apostas do C2M para uma das melhores disputas do ano:

5) Weiner

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“Weiner” é um olhar devastador na vida de um longo “evento’ que devastou a vida de Anthony Weiner: sua campanha política de 2013 para tentar ser o candidato democrata à prefeitura de Nova Iorque. De fato, esta foi uma verdadeira tragédia política de um homem que participou ativamente da política de Nova Iorque durante quase vinte anos e que, em um espaço de menos de um ano, teve sua reputação completamente degradada por causa de ataques midiáticos e de uma estratégia de campanha falha. Além de ser um olhar sobre a tragédia particular de um homem, “Weiner” também é uma análise sobre as consequências nefastas do circo midiático da sociedade estadunidense. Tem poucas chances de vencer, mas pode ser indicado.

4) Fogo no Mar

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Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, Fogo no Mar, filme de Gianfranco Rosi, é uma análise aprofundada sobre a tensão da crise dos refugiados na Europa em um local chefe: a ilha de Lampedusa na Itália. O documentário, que conquistou o mundo, é também uma observação meticulosa e artística das consequências da Guerra da Síria e os efeitos e impactos sofridos tanto pela população europeia quanto pelos refugiados em si. Em um mundo de atritos eternos e incertezas, Rosi aponta sua câmera e desvela a vida. Suas chances de vitória e de indicação (por ser um filme estrangeiro) nos parecem ser idênticas às de “Weiner”.

3) Cameraperson

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“Cameraperson” é o único documentário que se distancia (um pouco) dos outros por não ser especificamente político. Na verdade, o filme de Kirsten Johnson é um ensaio sobre o poder da câmera, das imagens e sobre as relações entre a produção cinematográfica e seus produtores ou realizadores; de fato, um filme sobre filmes, sobre o ato de filmar. Uma das vagas deve ser de “Cameraperson”, mas não deve tirar o prêmio dos dois concorrentes principais.

2) O.J.: Made in America

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Uma versão tem 7 horas e 47 minutos; a outra, 8 horas e 20. Uma das versões é um documentário; a outra, uma série televisiva. O formato, no caso, é irrelevante: a questão, de fato, é que duas das melhores narrativas de 2016 giram em torno da história de OJ Simpson – de sua vida, de sua trajetória e do famigerado caso de assassinato no qual se envolveu. E o grande mérito das duas versões é “coletivizar” a história de OJ de modo que a análise, a priori, biográfica, funcione também como uma ferramente para desvendar as engrenagens da sociedade estadunidense. “O.J.: Made in America” é o retrato do poder, das questões raciais, da influência da mídia e das relações sociais que compõem a intricada teia que forma os Estados Unidos. Por isso, além da indicação ser certa, este é o único documentário que tem chances de desbancar o filme que é franco favorito.

1) A 13ª Emenda

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A diretora Ava DuVernay pode ter sido sumariamente excluída do Oscar há dois anos atrás quando não foi indicada à estatueta de Melhor Direção, mas não há “oscarsowhite” que tire a cineasta do páreo em 2017. E o filme que a levará à corrida (com enormes chances de vencer, diga-se de passagem) é a “A 13ª Emenda”. De certo modo, este documentário realiza o mesmo tipo de exploração que Ezra Edelman faz em “O.J.: Made in America” – ou seja, as relações entre poder, mídia, raça e política nos Estados Unidos – com a mesma contundência. O maior diferencial para os votantes da Academia talvez seja a duração dos dois filmes, uma vez que o documentário de DuVernay é mais “palatável” sem deixar de ser um soco na boca do estômago em apenas 1 hora e 40 minutos, aproximadamente. Percebam: a corrida pelo Oscar de Melhor Documentário é tão acirrada que é possível que a decisão venha por causa da duração de um dos filmes. Porque mérito para vencer tanto este quanto aquele possuem. Leia a nossa crítica aqui!

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