sully

NOTA: 8 / Nathalia Barbosa

O que poderia surpreender, trazendo algo novo, sobre o avião que fazia o voo 1549 e que marcou os noticiários de todo o mundo ao realizar um pouso de emergência sobre as águas do Rio Hudson, no dia 15 de janeiro de 2009?

Dessa vez, o diretor Clint Eastwood, figura marcada no enaltecimento de fatos e acontecimentos estadunidenses, não é tão patriota como em seu último trabalho – praticamente um fiasco pela montagem e distorção de fatos – Sniper Americano.

A partir da adaptação do livro Sully, sendo o próprio relato dos acontecimentos sobre o acidente descrito pelo piloto e pelo copiloto Jeffrey Zaslow, Eastwood abusa da câmera objetiva e da abundância de cortes para imergir o espectador em uma atmosfera de tensão e decisões rápidas e conflituosas, não só pelo fato de um acidente quase certo de acontecer, mas, também, sobre o julgamento da tripulação após o ocorrido.

Inicialmente, a pergunta é: “o que há mais de ser explorado em algo que aconteceu há um tempo considerável, teve curta temporalidade – meio sensacionalista –  e foi uma situação rápida?”. Então é aí que Tom Hanks impulsiona a aposta da produção. No papel do comandante Sully, o herói do Rio Hudson, Hanks, mais uma vez, faz toda a diferença em reproduzir a pressão de alguém que além de ser responsável pela vida de 155 pessoas, comprometendo-se a salvar cada uma, ainda tem de provar que realizou a decisão correta de fazer um pouso inusitado, contrariando instruções da torre de controle.

Cada movimento simples de canto de boca, enrugamento de sobrancelhas, movimentos lentos, fazem de sua atuação uma peça fundamental para entendermos a complexidade de lidar com a mídia e com uma poderosa fabricante de aviões que considera, acima das pessoas, danos econômicos em perder um componente de alto custo de sua frota como mais importantes.

Evidentemente, como os filmes de Clint Eastwood, este também tem todo o drama clichê do herói que precisa lidar com decisões difíceis e ambíguas e, ao mesmo tempo, procura honrar sua família e não abandoná-la. Mas, neste longa, esse clichê faz todo sentido, já que o propósito aqui está mais centrado em uma história da vida de uma pessoa específica que se modifica de repente do que de alguém que representa um papel que pode ser generalizado e ter implicações sociais.

Não menos importante, temos Jeff, o copiloto (Aaron Eckhart), que acompanha não só Sully, mas, também, é colocado à prova e assume a responsabilidade de testemunha principal, pois esteve presente e atuou na situação, assumindo o compromisso de defender o profissional com quem trabalha.

Em suma, Clint Eastwood, com todos os seus clichês de “Deus abençoe a América”, acerta em sua direção e aproveita um roteiro que tinha grande risco de ser fraco, cansativo e sem muitas novidades. Sully é um filme que vale a pena não só para amantes de aviões e afins, mas, também, para pensarmos a interação entre fatores humanos, justiça e questões materiais.

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