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NOTA: 7 / Caio César

Entender o fenômeno por trás de Minha Mãe é uma Peça não é tão difícil. Trata-se de uma personagem extremamente popular e de fácil identificação com o público – de um lado as mamães que se veem em cada frame na tela e por outro os filhotes que adoram apontar as falas que suas progenitoras repetem na vida real. Entretanto, apostar só neste fator não foi suficiente para que o primeiro filme fosse cinematograficamente bem sucedido – embora seja um sucesso de público.

E, se há um claro esforço em dar uma gourmetizada visual nesta sequência, embora seja muito melhor resolvida, esta ainda empaca no ritmo e no roteiro.

Paulo Gustavo retorna como Dona Hermínia, personagem que o consagrou nos palcos e que o alçou ao posto de maior humorista do momento no Brasil. Histriônico, ele tem nos momentos de loucura da sua personagem um prato cheio para mostrar o que sabe fazer melhor: divertir. O humor afiado da mãe continua funcionando muito bem, e as piadas (muitas politicamente incorretas) não soam gratuitas ou ofensivas.

Entretanto, assim como no primeiro filme, o arco dramático parece um pouco forçado demais e é atrapalhado pela falta de familiaridade do ator em fazer emocionar. Some isso aos mesmos ecos narrativos do primeiro filme, com a perda de um ente querido, a desilusão com os filhos. O resultado é o roteiro repetitivo e que, novamente, soa como a colagem de esquetes variados.

Não que seja errado não ter um plot muito refinado – mas abraçar a natureza boba de tudo seria muito mais interessante do que aos 45 do segundo tempo tentar encaixar um drama canhestro para dar mais personalidade aos personagens – tudo soa muito forçado.

Uma pena, já que quando se concentra na comédia o filme se sai bem melhor. Os filhos ganham muito mais importância do que no longa original e deixam de servir só para resmungar e dizer o quanto a mãe é chata. É notável também o respeito ao desenvolvimento pessoal de cada um nestes quatro anos que separam uma história da outra – principalmente no guarda roupa dos personagens.

César Rodrigues, diretor de Vai que Cola – O Filme, também com Paulo Gustavo, assume a cadeira de direção e se sai bem melhor que André Pellenz, do filme anterior. Com ele, os cenários tem muito mais vida – não parecem retirados de uma montagem pobre de um teatro da esquina. Além disso, a fotografia é muito mais interessante, apostando em cores mais alegres para retratar a vida em família.

Caso corrija estes problemas narrativos, a próxima sequência da saga da mãe mais famosa do país pode ser um filme bem mais interessante que os que o antecederam. Ainda assim, se só o bom humor e a eficiência forem conservadas, já vai ser suficiente para me fazer sair de casa. Com minha mãe.

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