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NOTA: 9 / Felipe Ribeiro

Assumindo a importância do sexo no erótico drama sul-coreano “A Criada” (“Ah ga ssi”, no original), podemos pensar que o filme é uma grande troca de posições sexuais, ou seja, repleto de reviravoltas. Até certa parte, o filme caminha em narrativa clássica com lindas imagens, como se cada plano fosse um quadro pintado à mão, em que cada detalhe é importante.

Os muitos personagens são apresentados e é construída a trama de enganação entre a criada Sookee (Kim Tae-Ri) e o falso conde Fujiwara (Ha Jung-Woo) contra a aristocrata Hideko (Kim Min-Hee). Continuamos caminhando nesse desenvolvimento, que, a princípio, é pela crença no amor que surge entre a criada e a patroa, até o momento em que tudo muda e o espectador é enganado: tudo que foi narrado anteriormente desmorona em meio a um novo ponto de vista. Uma ilusão gerada pela montagem direcionada do diretor Park Chan-wook.

Além das tensões sexuais, que parecem partir das relações entre todos os personagens, outro sentimento muito presente no longa é o medo. Cada cena, por mais relaxada que pareça ser, possui certa temerosidade e cada personagem tem motivos para sentir medo.

A criada teme que descubram seu complô e sua farsa para com Hideko e seu assustador tio, ao mesmo tempo em que receia que o conde com quem fez o trato, descubra sua paixão pela patroa. Hideko é uma das mais destemidas, mas tem medo do tio, que a amedronta desde criança, e de si mesma – principalmente ao pensar no passado suicida da mãe.

O  falso conde, que deseja enganar Hideko para casar com ela e obter sua herança, tem medo de não conseguir seu dinheiro e tem medo do tio da moça. O tio de Hideko, por sua vez, a quem todos temem por causa de sua biblioteca de contos eróticos e de seu ar opressor, também tem seus próprios medos: perder a jovem sobrinha sem ter a chance de se deitar com ela.

O espectador não foge dessa lógica. Cena após cena, o público teme que o amor das duas acabe, que o tio pervertido abuse da sobrinha e, por causa das reviravoltas da trama, teme pelo desconhecido, por ter pensado de forma errada, por acreditar que está sendo enganado.

Aliás, a quantidade de reviravoltas e o constante acréscimo de informações podem confundir o espectador. Mas Park Chan-Wook retorna em planos já apresentados anteriormente, nos dando a chance de observar a história por outro ponto de vista da história que anteriormente velado. Além disso, também encontramos novos planos escondidos nesses retornos.

De todas as ilusões construídas no filme – todos os personagens, em algum momento, são passados para trás -, o espectador é o mais ludibriado. Há um momento no filme em que todos parecem mentir e nada parece ser verdade. O fim, no meio dessas variações, se torna um grande tiro no escuro, com muitas possibilidades, mas é bem-sucedido.

Ao se falar sobre “A Criada”, é preciso pontuar sobre as cenas de sexo e de intimidade entre as duas personagens, que são muito bem interpretadas pelas atrizes . Ambos os momentos parecem maduros e apaixonados, mas, de certa forma, são construídos para que o espectador seja seduzido, como se um grande fetiche estivesse sendo realizado.

Por outro lado, os momentos íntimos, em que não há cena de sexo, parecem ser mais fortes do que os que possuem. Os planos escolhidos parecem levar ao êxtase em meio a trama de erotismo e perigo.

 

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