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NOTA: 6,5 / Caio César 

É particularmente legal quando você é surpreendido positivamente por um filme. Mais ainda quando se trata de um coming out of age (romances sobre a adolescência), um dos meus tipos favoritos de filme. Redondinho e inofensivo, Eu Fico Loko escapa do desastre total que alguns previam – embora tenha falhas importantes de concepção.

Inspirado na vida do youtuber Christian Figuereido, o filme é um recorte biográfico da adolescência do rapaz e dos altos e baixos que o levaram a ser um dos maiores fenômenos da internet brasileira. Neste sentido, o roteiro é bem sucedido já que consegue introduzir a persona do comunicador no meio da ação, como um narrador (servindo para matar a sede dos fãs pela sua presença em tela), mas também consegue desenvolver o personagem principal para conquistar o afeto dos muitos que não o conhecem a fundo.

Entretanto, o roteiro parece tímido demais quando retrata assuntos os quais o jovem lida com tanta abertura com seu público como: virgindade, primeiro beijo e etc. Nestes momentos quem não deixa o caldo entornar é o bom elenco jovem, que sempre transparece verdade na composição. Filipe Bragança e José Victor Pires são os destaques do grupo, sendo que o carisma deste último rouba todas as cenas com o protagonista.

O diretor Bruno Garotti conduz o longa com competência pouco vista nas comédias nacionais dos últimos tempos. Seu filme tem cara de filme. Tudo funciona muito bem – do design de produção à direção de fotografia. O ponto negativo fica para uma cena mais dramática, em um cemitério, que parece ter sido gravada ao meio dia e ter sido mergulhada em um tratamento de cor ineficiente cujo resultado é artificial e feio ao ponto de não parecer pertencer ao mesmo filme.

Eficiente, o longa cai um pouco no fim do terceiro ato porque (obviamente) existe uma certa questão: tudo foi perfeito assim? Essa falta de versões e faces para um personagem não favorece o seu enriquecimento – transformando o longa em uma quase peça publicitária.

Até aí, contudo, a mistura de uma história trivial bem contada embalada por uma boa produção e uma trilha sonora chiclete funciona muito bem.

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