tata

NOTA: 8 / Caio César

Durante a coletiva de lançamento do filme, a protagonista Tatá Werneck revelou que escolheu contar a história de TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva porque queria fazer algo diferente, que tivesse prazer de assistir depois. A declaração da atriz não somente é muito contundente, como também revela muito sobre a industrialização das comédias nacionais e como é cada vez mais difícil achar um projeto diferente no meio de tanta coisa preparada sob demanda para emular um sucesso anterior.

Partindo por esse ponto, é possível que a decisão de Tatá foi muito acertada, porque TOC é, de fato, muito acima da média das comédias nacionais. Isso porque, debaixo de um certo nonsense já apresentado no trailer, está um filme que tem como objetivo contar uma história densa e com tons de jornada pessoal – e o filme transita entre a comédia pastelão e a comédia dramática com sucesso, embora tropece em algumas cenas, como quando Kika, personagem de Tatá, usa um remédio que a deixa meio alta.

Aliás, o roteiro, escrito pela dupla de diretores, é hábil em narrar a história de Kika, a atriz bem sucedida que luta, ao mesmo tempo, com a vontade de ser bem sucedida e a de encontrar a felicidade – o que, no fim das contas, é o dilema de muito marmanjo por aí.

A montagem relembra video-clipes e a trilha sonora é recheada de músicas do universo pop e do cancioneiro popular que ajudam a causar uma identificação mais direta com o público. Eficiente também é o elenco de apoio. Entre eles, vale a pena citar o show de Vera Holtz, claramente se divertindo muito no meio de uma nova geração de atores, mas nunca acomodada em seu próprio registro.

Tatá também mostra eficiência ao desacelerar um pouco sua personagem – o que evita julgar que a personagem da tela, com tanto em comum, seja uma representação dela mesmo. Nos momentos mais loucos do filme, ela também demonstra toda sua habilidade e conhecimento de timing cômico – um prato cheio para as risadas.

TOC é transgressor, bem produzido e possui um conceito muito interessante. Vai ser legal ver como as audiências vão reagir à essa proposta. Entretanto, ver quaisquer realizadores se empenhando para trazer o novo ao gênero de comédias nacionais já muito significativo.

 

Leia aqui a entrevista com a produtora do filme!

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