hacksawridge_andrew_garfield_publicity_still_h_2016_0

NOTA: 6,5 / Renato Furtado

Um grupo de soldados novatos escala a colina Hacksaw, no Japão. Tudo o que sabem é que o exército dos Estados Unidos já foi expulso seis vezes do lugar. À frente dos recém-chegados, escombros, desolação e o medo que cada um deles tem de acabar cruzando o caminho de uma balada disparada pelo inimigo. Em meio à fumaça, agrupados, adentram o campo inimigo e a incerteza da batalha. A descrição soa familiar? Pois é: “Até o Último Homem” é similar à grande maioria dos filmes de guerra que já vimos.

O que separa este longa do resto de sua categoria é a natureza de sua trama, uma vez que esta é a história do pacifista Desmond Doss (Andrew Garfield), um Objetor Consciente que se alistou para salvar, e não tirar, vidas humanas. Mas, para além disso, o novo filme de Mel Gibson – que retorna aos holofotes após ser obrigado a se exilar por causa de suas declarações antissemitas – é uma repetição. Não é ruim; é apenas já o vimos antes.

Narrando dois momentos da vida de Doss (antes e durante seu serviço no exército), Gibson parece se esquecer por completo da primeira metade, guardando todas as suas energias para a parte final do longa. É só quando Doss chega à Segunda Guerra Mundial, que o cineasta consegue abordar o ponto principal de seu filme.

De fato, a meta de Gibson em “Até o Último Homem” é justamente dar vida à história real de Doss e os sacrifícios que o médico de combate precisou realizar para salvar as vidas de 75 homens. Com seu tradicional pulso na direção, o cineasta cria sequências ágeis, enérgicas e muito violentas; um verdadeiro (e vazio) espetáculo.

O cineasta, no fim das contas, parece se contentar em apenas sustentar o ritmo e a adrenalina de sua obra, sem nunca tentar fortalecer, tanto visual quanto narrativamente, o fraco material que tem em suas mãos: um roteiro que parece ser uma colcha de retalhos costurada com pedaços de outros filmes de guerra e de filmes religiosos.

Os melhores momentos do filme são proporcionados justamente pela compromissada interpretação de Garfield (indicado ao Oscar pelo papel). O britânico carrega a película nos ombros (assim como faz com seus companheiros feridos) e traz credibilidade e emoção à obra. Em certos instantes e sequências – como quando Doss precisa fugir dos inimigos japoneses pelos labirínticos túneis subterrâneos inimigos -, Garfield chega a nos tirar do eixo imposto pela própria inércia da película.

Porém, isso não é o bastante. Gibson procura tirar o máximo de suas melhores cenas, mas acaba esgotando o impacto através de inúmeras repetições. Premiações (especialmente o Oscar) não são bons parâmetros para avaliar filmes por inúmeros fatores; entretanto, uma coisa é certa: “Até o Último Homem”, este drama religioso de guerra, não merecia toda a atenção que recebeu; é um filme convencional e tradicional demais para o próprio bem.

Anúncios