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NOTA: 9 / Caio César

“Um drama poderoso sobre o envelhecimento e as consequências de uma vida cheia de traumas. Ah! Sim, sim, o filme é estrelado por um mutante considerado super-heroi”. Esta é a definição de Logan, que marca a última encarnação de Hugh Jackman nas garras mais poderosas do cinema mundial.

É particularmente animador saber que os executivos da Fox apostaram alto neste capítulo final da saga de Wolverine nos cinemas. O mutante mais famoso dos X-Men não merecia o tratamento que vinha recebendo até aqui. Depois do pavoroso Wolverine – Origens (sim, aquele com Will-i-am) e do mais bem recebido pela crítica, mas ainda assim decepcionante, Wolverine – Imortal.

Logo no início da projeção, salta aos olhos o fato de estarmos assistindo um filme com a alma de Wolverine. Embora sempre bem representado por Hugh Jackman, aqui toda a voracidade animalesca do mutante transpira em cena. Dos palavrões, passando pelo sangue e todas as cabeças decepadas, não é possível dizer que o fato de ser um filme para maiores não foi bem aproveitado pelo roteiro.

Além disso, o peso de ser um capítulo praticamente independente é um alívio para os fãs dos X-Men nos cinemas, já que todos os últimos filme foram repletos de viagens no tempo, confusão na linha temporal e, principalmente, histórias que pareciam apenas ser capítulos de introdução para uma próxima aventura da franquia.

Assim, encontramos Logan como um motorista particular de uma cidade desértica dos EUA, perto da fronteira com o México. Doente, ele parece estar perdendo os seus poderes e, principalmente, sua paz, à medida que tenta se manter cada vez mas distante de seu passado como um super-heroi. O seu elo com o passado é ainda cuidar de Charles Xavier, que agora um idoso sofrendo de uma doença degenerativa, precisa tomar pílulas que controlem os distúrbios do cérebro mais poderoso do mundo (o que por si só já o transforma em uma grande arma). A aventura começa quando uma mulher, munida de seus gibis dos X-Men, vai atrás de Logan para que ela a ajude na tarefa de proteger a mutante X-23, uma garota que parece atrair a atenção de todos os malvados da região.

O filme contém cenas de ação de tirar o fôlego, todas muito bem fotografadas e em uma escolha de cores quentes que favorecem o cenário em que a história se desenvolve. Aliás, o roteiro se beneficia da estrutura de road-movie para aprofundar o relacionamento de Logan com o Professor Xavier e sua protegida. A atuação de Patrick Stewart é particularmente tocante e de uma grande sensibilidade.

O filme peca em algumas soluções de seu roteiro (principalmente nos eventos que ocorrem no fim do segundo ato), que parecem corridas demais para um filme de mais de duas horas. Mas nada é suficiente para quebrar o resultado deste grande longa.

Gostaria de destacar o final de Logan. Ele não somente é corretíssimo e emocionante, como é um baita fan service já que reverencia seu personagem de forma lindíssima ao não dar atenção a mais nada depois da resolução principal. À medida que os créditos sobem, o público percebe que viu a saga de um homem com super poderes, mas tão humano quanto nós. Para o cinema, é o fechamento da versão de Hugh Jackman para Wolverine – um dos mais icônicos personagens do cinemão moderno e o precursor (antes mesmo do primeiro Homem Aranha) da revolução dos filmes de super-heroi. Não é pouca coisa.

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