NOTA: 6 / Por Caio César

Sou um grande fã da versão de 2005 de King Kong, dirigido por Peter Jackson (recém saído do fenômeno Senhor dos Aneis). Entretanto, aquela era uma reverência ao filme original e sua refilmagem nos anos 70. O choque de ver o gorilão como um monstro de proporções descomunais nesta reimaginação Kong: A Ilha da Caveira é muito grande. O resultado é um filme problemático, mas sempre extremamente divertido.

Quando o elenco do filme começou a ser divulgado, muito foi comentado sobre o quilate dos atores envolvidos no projeto. Infelizmente, praticamente nenhum deles tem a oportunidade de ter o seu personagem minimamente desenvolvido. Com a exceção de John C. Reily, que interpreta um misterioso sobrevivente da ilha (e que acaba por receber maior atenção até o fim da projeção), todo o resto do elenco interpreta estereótipos de figuras que já vimos em outras produções.

Nem mesmo a recém-oscarizada Brie Larson escapa do total descaso do roteiro para com seus personagens. O “vilão” interpretado por Samuel L. Jackson é tão risível que o público parece sempre aguardar o momento em que ele vai assumir estar zoando e não se levando a sério. Infelizmente isso jamais acontece.

Entretanto, é importante apontar que não há qualquer desprendimento em relação à usar a figura de Kong desde a primeira cena do filme. Sua imagem figa sugerida apenas em poucos momentos, sempre permitindo com que o público se permita ficar espantado com a força do gorila.

Importante destacar, também, o bom trabalho da direção de arte e da direção de fotografia na composição das cores e da ambientação da selva da ilha do título. De ruim mesmo só a falta de noção de proporcionalidade, que nunca fica claro para o público, já que as criaturas parecem variar de tamanho de acordo com a vontade do roteiro (principalmente Kong, que parece crescer e diminuir a qualquer momento).

Por último, vale destacar a direção frenética de Jordan Vogt-Roberts, que pela primeira vez assume um blockbuster e é insano! Embora funcione de maneira muito divertida na maior parte do tempo, seu estilo prejudica o bom entendimento da história em detrimento aos seus arroubos estilísticos. Algumas cenas, inclusive, lembram o celebrado (por alguns) 300, do (na época) visionário diretor Zack Snyder. É pra ficar de olho!

Terminando com pontas abertas para uma sequência que promete ter escalas bem maiores, já que vai contar com um convidado BEM imponente, Kong não faz pensar, não desenvolve seus personagens, tem falhas de roteiro, MAS, é extremamente bem produzido e muito divertido. Mas o rei da selva demonstra muito potencial e fôlego para as próximas aventuras.

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