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NOTA: 8 / Caio César

Disponível na Netflix há duas semanas, a sua nova série original já pode ser considerada um fenômeno. 13 Reasons Why é baseada no livro homônimo e conta a história de Hannah Baker, adolescente que sofre para encarar o ensino médio em meio à pressões como bullying e abusos morais e físicos. Embora a plataforma não libere os resultados de audiência de suas produções, a série está em todas as conversas de seu público-alvo, gerando discussões em fóruns na internet e nos espaços sociais da vida real – como prova de que seu tema é um assunto incômodo e urgente.

No limite de sua luta, Hannah (interpretada pela atriz australiana Katherine Langford) decide tirar a própria vida. Ela, entretanto, prepara 13 fitas que contém as suas últimas observações sobre os fatos que a levaram àquela situação. As gravações estão sob a tutela de Tony (Christian Navarro), alguém em que ela confiava. Elas devem ser ouvidas por cada um dos”porquês” e passadas adiante. O espectador encontra as fitas com Clay (o simpático Dylan Minnette), um jovem tímido que nutre secretamente uma paixão por Hannah.

A cantora e atriz Selena Gomez (que inicialmente iria estrelar a série) aqui é uma das produtoras – e principais defensoras do projeto, tendo trabalhado diretamente na aquisição dos direitos dos livros para adaptação. Tom McCarthy dirige os dois primeiros episódios com a apatia de quem comandou o Oscarizado Spotlight – e da mesma forma, se não acrescenta em nada à trama, não chega a atrapalhar.

Talvez o grande problema da série seja o ritmo lento de alguns episódios – o que, infelizmente, faz com que algumas das histórias terminem menos relevantes que outras. Da mesma forma, a demora para que Clay conclua a reprodução das fitas chega a ser incômoda e soa como mero atalho de um roteiro que precisa durar 13 capítulos. Além disso, a duração dos episódios (em média uma hora) cansa o expectador.

O elenco, composto em sua maioria por jovens interpretando papeis de pessoas mais novas que eles, é homogêneo – tendo como destaques Hannah e Clay. Dylan Minnete se destacou no ano passado com o sensacional Um Homem nas Trevas e demonstra na série um bom amadurecimento e carisma de sobre para carregar a produção nas costas. Katherine Langford, em seu primeiro papel, constroi Hannah com a doçura e carga dramática necessárias para a jornada de sua personagem. A empatia dos dois com o público é imediata e isso ajuda demais o desenvolvimento da série.

Tecnicamente, embora muito bem realizada, a série soa apenas correta. Com duas linhas temporais distintas, a fotografia opta por tons mais frios no presente e uma palheta de cores mais quentes quando Hannah ainda está viva. Entretanto, o esmero da produção parece não ter sido suficiente para cuidar da aparência do machucado de Clay (que existe apenas para não deixar os menos atentos com dúvidas de em que time-line a ação está se desenvolvendo no momento). Em diversas cenas o curativo aparece com uma maquiagem horrorosa que chama mais atenção do que tudo em cena.

Embora a série seja destinada ao público Young-Adult, ela apresenta um tema muito pesado com uma abordagem crua – o que aumenta ainda mais sua relevância como motivadora de discussões. Ela respeita seu público ao optar por sinalizar para seus expectadores sobre o grafismo de algumas de suas cenas mais importantes – ainda que o teor das cenas (principalmente a do suicídio de Hannah) tenha criado polêmicas sobre o quão prejudicial (ou incentivador) é expôr a morte de uma pessoa doente para uma parcela do público que possa estar enfrentando questões similares às da personagem.

O crescendo de qualidade dos últimos quatro capítulos só é prejudicado pela falta de sensibilidade do roteiro em incluir pontas soltas e mistérios secundários ao público que, obviamente, ainda está profundamente impactado pelos efeitos das cenas finais de Hannah. Entretanto, isso não é capaz de diminuir a força de sua narrativa – nem das nossas reflexões pessoais e de nossa sociedade – além de nos relembrar de que se pensamos as manifestações culturais como sendo um retrato do nosso tempo, as constatações podem ser bastante crueis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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