NOTA: 7 / Lorena Carvalho

Um “Alien” (1979) moderno, esse era claramente o objetivo que o filme “Vida” (2017) de Daniel Espinosa tinha traçado. Seis astronautas, ao invés de sete, e um ser de um outro planeta que mata os passageiros, um por um, enquanto espalha o terror pela estação espacial. Poderia ser perfeito, mas não é.

O filme começa com os astronautas tendo que recuperar amostras de solo que foram colhidas em Marte e que estão chegando perto da nave. O responsável por captar a máquina que vem voando em direção à estação é o cômico Rory Adams, interpretado por Ryan Reynolds de uma maneira que inegavelmente lembra sua performance em Deadpool.

Junto com Rory são apresentados os outros cinco personagens – Dra. Miranda North (Rebecca Ferguson), que chefia a missão, Dr. David Jordan (Jake Gyllenhaal), um médico astronauta que já vive há mais de um ano em órbita, Hugh Derry (Ariyon Bakare), um biólogo inglês, Sho Murakami (Hiroyuki Sanada), um técnico japonês, e Ekaterina Golovkina (Olga Dihovichnayha), uma carismática engenheira russa.

Quando recuperado o solo é analisado por Derry, que descobre um ser unicelular que só é trazido a vida quando a incubadora em que está sendo analisado é posta nos padrões ambientais de Marte. A partir daí a vida descoberta gera uma série de reações positivas, até mesmo na terra, enquanto o marciano, batizado de Calvin, cresce rapidamente.

Tudo ia bem até que um dia um erro no laboratório muda os padrões em que Calvin estava sendo mantido e o biólogo tem que intervir para que ele sobreviva. A partir desse momento, o alienígena começa a se portar de uma forma diferente. Inteligente e formado por uma única matéria que o permite ver, sentir e pensar, ele escapa do local onde estava sendo mantido e o terror se inicia.

Cheio de efeitos especiais admiráveis,  o filme leva em conta a gravidade zero. Além disso, traz mortes que afligem o espectador e cria um terror e ansiedade pelo fim do alien. No entanto, o roteiro tem vários problemas e o final, que deixa margem à continuações, decepciona.

O primeiro problema é que os personagens não tem muita química. Até mesmo a amizade entre a Dra. Miranda North e do Dr. David Jordan, que tem mais tempo de tela, não convence. Ao mesmo tempo há problemas em relação ao extraterrestre que incomodam.

Inteligentíssimo em certos momentos, Calvin às vezes age de maneira burra e acaba caindo em planos bobos que fazem o gosto do espectador pelo filme diminuir. Entretanto, o que mais revolta é o fato da biologia, no filme “Vida” ser ignorada quando lhe convém. Calvin precisa de oxigênio para sobreviver, mas transita fora da nave, no vácuo, e não morre.

Finalmente,  devemos ser justos e assumir que o filme consegue em parte conquistar seu objetivo. Seus efeitos e cenário, claramente fazem uma bela releitura de “Alien”, porém para alcançar seu desejo com maestria, o filme teria que melhorar muito seu roteiro e, claro, mudar seu final.

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