NOTA: 9 / Caio César

Não há dúvidas de que a Marvel domina os meios de produção de uma bem sucedida fórmula de filmes de super-herois. Entretanto, com a profusão de lançamentos, variar os temas e tons de seus longas é um fator vital para continuar se mantendo relevante entre o público. E é exatamente esse sopro de originalidade que o primeiro Guardiões tinha – e sua sequência maximiza tudo de certo do filme anterior, de forma ainda mais orgânica.

O filme já começa levando a trupe para o meio da ação. Eles foram contratados por um povo que cultiva a cultura de que são uma raça superior no meio do universo. Os primeiros dez minutos já apresenta tudo que vamos conferir no resto da projeção: ação desenfreada, diálogos afiados, muito humor – e uma participação maior (e muito eficiente) de Drax, personagem do ex-lutador Dave Bautista (um dos maiores êxitos da sequência).

Mas é o encontro de Peter Quill com seu pai Ego, o Planeta Vivo, que move a trama principal. Paternidade, família e propósito de vida – tudo isso no meio de muita referência pop e de uma leveza propiciada pela falta de necessidade de criar conexões com o restante do universo Marvel no cinema (embora os Guardiões estejam nas próximas aventuras do time).

Mais seguro, James Gunn dirige o filme com estilo e total controle dos rumos da história. Com um roteiro que ele mesmo escreveu, Gunn nunca confunde o público e guia as tramas de maneira eficiente para que todas se encontrem nas resoluções do terceiro ato. Destaque para os surpreendentemente emocionantes arcos de Yondu e Rocket, que se apoiam ao descobrir traços parecidos em suas personalidades. Nebulosa também ganha tintas a mais – e um potencial destaque em futuros filmes dos Universo Marvel. Kurt Russel parece estar se divertindo muito e compõe Ego de maneira satisfatória, mesmo que o roteiro não dê motivações muito claras para o seu arco. Sylvester Stallone aparece menos do que os fãs poderiam esperar, mas é outro personagem que é mais introduzido do que aproveitado – e com certeza pintará em aventuras futuras.

E é claro, Baby Groot! Se mercadologicamente é um truque de mestre ter um personagem tão fofo para vender milhares de bonecos e outros produtos, o filme o utiliza de maneira inteligente e pontual – já que diminuir o guardião mais querido ao papel de bobinho da corte seria um pecado. Além disso, o futuro de Groot parece ser ainda mais genial (como podemos conferir em uma das CINCO cenas pós-créditos).

Embora não apresente mais o fator surpresa do primeiro filme, Volume 2 é uma continuação digna de um dos melhores filmes da Marvel. Divertido, emocionante e cheio de ação, é puro cinemão de entretenimento. Já podemos mandar o currículo de Gunn pra nossos amiguinhos da Warner e da DC?

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