el_ciudadano_ilustre_1-h_2016

NOTA: 8,5 / Nathalia Barbosa

O Cidadão Ilustre, filme argentino de Gastón Duprat e Mariano Cohn, é um dinâmico questionamento sobre as confusões e semelhanças entre artista, obra e reconhecimento.

A sequência inicial revela um autor argentino, Daniel Mantovani (Oscar Martinez), em momento de tensão. Logo descobrimos que ele é o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. O que se segue após o seu discurso contestador de recusa a títulos e ao gosto vigente de uma classe segregadora, é uma reviravolta em sua cidade natal.

No meio de uma agenda lotada, Mantovani recebe um convite do prefeito de Salas para visitá-la. Depois de anos na Europa, decide aceitar e a fotografia mostrando ambientes clean e sem muita luz passa para uma cidade de aparência atrasada. É nela, então, que Montovani recebe, do prefeito, uma medalha de Cidadão Ilustre. Um dos primeiros choques e que desponta humor é a utilização de recursos de WordArt em um vídeo de homenagem ao escritor.

Porém, a alegria e admiração daquela população não dura muito. Em meio às lembranças trazidas à tona, Mantovani passa a ter de contornar comportamentos agressivos de pessoas que não lidam muito bem com as reflexões feitas em seus livros e nem com seu critério de júri de arte acima das hierarquias locais.

Com personagens caricatos, revelados principalmente por Irene (Andrea Frigerio) – a moça pacata de família tentando manter tudo em ordem – e Antonio – amigo de Mantovani e marido de Irene, machista e panacão -, o filme faz uma dura crítica a diversas características ora de uma pequena cidade, focando na Argentina, com seus valores ultrapassados e hipócritas, ora com o escritor contraditório – pelo que fala e o que escreve.

Saindo um pouco do contexto local, é genial em nos instigar a repensar o valor de prêmios, critérios do que é arte e do que é feito um gênio ou uma grande obra. Sem dúvidas, acerta em cheio ao utilizar humor para apontar o potencial de fatos cotidianos em serem paródias ou alta literatura.

 

Anúncios