RealHistoria

NOTA: 6,5 / Nathalia Barbosa

O título já deixa claro sobre o que trata o filme: o plano econômico brasileiro que vigora até hoje. Dirigido por Rodrigo Bittencourt, em um primeiro momento achamos que haveria uma abordagem ampla nas diversas atividades entre a década de 90 e os anos 2000 para solucionar a crise econômica brasileira, mas logo percebemos que o foco é o criador do Plano Real, Gustavo Franco.

No início, é difícil saber se é um filme pastelão propositalmente. Vemos um diálogo caloroso entre Gustavo Fraco, interpretado por Emílio Orciollo Neto e Marcelo (Klebber Toledo). No meio de atuações medíocres e nada convincentes, há ainda o maniqueísmo clichê que vemos em nosso dia-a-dia: Gustavo defende a ausência do Estado; já Marcelo aposta em políticas públicas para o bem-estar da população. Por seu ponto de vista, Marcelo é chamado de esquerda caviar, fazendo o espectador desconfiar do caráter pastelão do filme. O assunto acaba quando os dois trocam insultos após o último revelar que trabalhará na Inglaterra.

Permanecendo no Brasil, Gustavo Franco é chamado pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso (Norival Rizzo), para compor o Ministério, atuando na elaboração de um novo plano para conter a inflação e estabilizar a moeda. A partir dessa virada, o foco passa a ser tanto a vida profissional como particular do economista.

Em uma narrativa linear organizada por meio de uma entrevista a Gustavo na qual o economista conta sobre sua própria carreira, há a possibilidade de mais de uma interpretação, já que a jornalista, interpretada por Cássia Kis, representa um contraponto. Porém, esse é um dos únicos. Com uma estética não muito criativa, um final que recorre a citações e conclusões em estilo de máquina de escrever, o filme serve muito mais para rir dos vícios da política brasileira do que refletir sobre a história do País. Ainda com uma maquiagem risível, é difícil levar os personagens a sério, tanto na ficção como na vida real e a síntese disso é a figura de Itamar Franco (Bemvindo Sequeira). Infelizmente, é um filme tão pastelão quanto o cenário político atual.

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