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NOTA: 9 / Lorena Carvalho

Fazer uma crítica sobre “A Criada” sem falar demais é um grande desafio. Isso porque o filme coreano sobre uma tentativa de golpe tem como maior trunfo o fato de ser recheado de reviravoltas que enganam o próprio espectador. Numa mistura de drama, romance e mistério, o longa consegue criar um suspense de uma maneira brilhante e o resultado é a satisfação quase que completa do público.

Iniciado com um turbilhão de informações e personagens que não devem ser ignorados, o filme explica sua trama complexa: um trapaceiro que se finge de Conde (Ha Jung-Woo) quer contratar uma moça para trabalhar na casa de Kouzuki (Cho Jin-Woong), um senhor rico admirador da cultura japonesa, que leiloa livros raros na Coréia. Na grande mansão de estilo japonês que pertence ao tal homem, mora Hideko (Kim Min-Hee), uma jovem inocente, dona de uma grande herança, que é sobrinha do dono da casa. Apesar do vínculo familiar, o tio, que é viúvo há anos, pretende se casar com a moça em breve, mas seus planos podem não dar certo. Isso porque o falso Conde quer conquistar a garota, fugir com ela e ficar com a sua herança. Com esse objetivo, ele contrata Sookee (Kim Tae-Ri), uma jovem criminosa de uma quadrilha que vende bebês, para trabalhar como criada de Hideko e fazer com que a moça a se apaixone por ele.

O mais interessante, é que por mais que essa descrição pareça completa e detalhada, ela só resume a primeira parte do filme. O longa, contado de maneira não linear, é dividido em três partes que vão e voltam na história com novas informações e dicas que instigam o público.

Apesar de ser um pouco confuso no início e de se atrapalhar no desenvolvimento de algumas questões perversas ligadas aos leilões dos livros, o filme é inegavelmente muito bem construído. A obra, dirigida por Park Chan-Wook, reflete seu cuidado para que todos os fios que o espectador temia que fossem deixados soltos, sejam encapados.

O capricho também fica nítido na maneira em que os personagens são construídos pelas atrizes, ao mesmo tempo em que se relacionam e avançam em sua intimidade. Mais que isso, a beleza do ambiente aonde se passa, aliada ao figurino e à preocupação em retratar os detalhes da cultura japonesa, fazem com que o público mergulhe naquela realidade enquanto o assiste.

A cena de sexo, muito falada, passa com êxito todo seu ar de erotismo. Porém, além disso funciona como uma figura do ápice de confiança e da descoberta mútua dos personagens de um sentimento puro que se dá naquele ambiente obscuro.

Surpreendente a cada reviravolta, o filme coloca todos os personagens em situação de desvantagem em algum momento. Porém, ainda assim é capaz de solucionar com maestria o fim de todos eles, conseguindo alcançar ou até superar a expectativa dos espectadores. No final das contas, “A Criada” provoca no público a vontade de assisti-lo novamente para que se confirme que nada passou despercebido.

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