Nota: 8,5 / Nathalia Barbosa

Quando é lançado mais um drama baseado na Primeira Guerra Mundial, é quase impossível não imaginar uma estrutura se repetindo no cinema: uma discussão sobre diferenças com um final triste e relacionado à morte. Porém, Frantz inova graças a uma belíssima combinação entre roteiro e fotografia que usa cor como elemento dramático na narrativa. Inspirado pelo pintor alemão Caspar David Friedrich, o diretor François Ozon recorre à alternância de preto e branco com cenas coloridas para marcar irrupções no luto.

O filme inverte a estrutura típica de filmes do gênero. O fato que dá início à narrativa é uma morte que causa impacto mesmo sem ser mostrada. Anna, interpretada por Paula Beer, é uma alemã que como muitas outras mulheres pelo mundo, perdeu seu noivo no Front. É no túmulo de Frantz (Anton Lucke), que a narrativa ganha outros contornos graças ao encontro de Anna e o amigo de seu ex-noivo, Adrien (Pierre Niney).

Em meio ao luto, Adrien conquista a família alemã de seu amigo Frantz por ter um jeito parecido: simpático melancólico e pacifista. Porém, por ser francês, desperta desconfiança e vingança de moradores alemães. Em meio ao convívio do francês devido às boas lembranças que trazia, Anna estreita suas relações e acaba se apaixonando na tentativa de dar uma chance à possibilidade de sua felicidade.

Com o destaque de sons simples como o barulho de sapatos batendo ao chão, o farfalhar das folhas de árvores e até o barulho da respiração, Frantz é um filme sensível e intimista, mas não cai no típico melodrama. Longe de ser um filme comum sobre amor, ele é muito mais sobre perdão e questões razoáveis que dão rumo a uma vida tranquila do que pessoas apaixonadas tão irracionais como a guerra. Em suma, traz a relevância do controle e escolhas. Pode ser que tais considerem mais o bem coletivo do que o interesse individual, mas é perceptível que Ozon deixa o espectador com uma margem de dúvidas graças a sua bela construção do destino de Anna.

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