Nota: 5 / Nathalia Barbosa
O filme de Felipe Sholl, aclamado no Festival do Rio, engana. Com uma proposta forte de problematizar saúde mental e relações de poder entre ligações afetivas e familiares, perde-se em seu roteiro e acaba sendo irresponsável, vazio e não envolve o espectador.
A narrativa gira em torno de Diogo (Tom Karabachian): um menino de 17 anos, tensionado pela época do vestibular, que satisfaz sua libido ligando para mulheres que são pacientes de sua mãe, terapeuta, e, enquanto ouve suas vozes, permanece no mudo. Diogo, então, registra nome da moça e horário em um papel onde goza.
Como contexto, a mãe de Diogo – interpretada por Denise Fraga -, uma psicanalista, não compreende o que se passa com o próprio filho e está envolvida em uma separação com a família. Em uma casa onde o silêncio reina nas refeições, o ápice da trama ocorre quando Diogo, em meio aos conflitos familiares e com suas próprias pulsões, recorre a uma paciente de sua mãe, Ângela (Karine Teles), de 43 anos, sendo seu primeiro relacionamento e suas primeiras descobertas.
A questão é: Ângela transfere suas frustrações a um menino com menos experiência? Ele é uma pessoa matura, apesar de seus constumes secretos e sua mãe estaria reprimindo suas vontades como uma espécie de superego? O longa não foi capaz de tratar as questões que levanta com responsabilidade e profundidade e o seu final é extremamente vazio e parece pular uma parte da história depois de uma trama arrastada. Além disso, não há uma direção envolvente e as falas são superficiais. Em suma, fraco e desperdiça grande potencial.
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