Nota: 7 / Nathalia Barbosa

O novo longa de Selton Mello como diretor no cinema é bom, mas não é suficiente para falarmos que ele tem um futuro promissor do outro lado das câmeras. Nas palavras do diretor, O filme da minha vida não é uma adaptação, mas a representação imagética e sonora do livro “Um pai de cinema”, do chileno Antônio Skármeta. Ainda bem que ele fala isso, pois o filme destoa quase completamente do livro, até mesmo nos nomes dos personagens, sendo a maioria diferente.

A narrativa conta a história de Tony (Johnny Massaro), um jovem filho do francês Nicolas (Vincent Cassel) que, morando no interior gaúcho, afasta-se de casa para estudar e ganhar o diploma de professor. É no mesmo trem de volta para seu lar que o pai o toma para desaparecer de sua vida, deixando-o desamparado e angustiado pela falta de pistas por parte de sua mãe Sofia (Ondina Clais).

Tony perde seu maior ponto de referência e, em busca de uma existência independente, tenta acelerar esse processo ao procurar uma moça na Zona para tirar sua virgindade. Nessa empreitada, há dois companheiros: seu aluno Augusto e seu amigo Paco (Selton Mello). A jornada dá o toque de trivialidade ao filme, colocando questões sobre sexualidade, existencialismo e paixões de forma rasa. É nesse contexto que Tony tem fantasias com o mínimo de sugestividade das irmãs de Augusto: Luna e Petra. Como conflito, ao longo do filme, descobrimos que coisas mais sérias do que as descobertas sexuais de Tony ronda a relação de todo os moradores e ex-moradores do pequeno vilarejo.

Graças ao belo trabalho de fotografia de Walter Carvalho, o filme ganha um tom poético por meio das imagens e da montagem que lhe deixa atraente e, somando-se ao cenário e à trilha sonora de Plínio Profeta, lembra “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore. Podemos dizer, em suma, que é uma história rasa, mas que consegue nos transmitir nostalgia. Aliás, sendo mais uma parceria entre a produtora mineira Vania Catani e Selton Mello, vemos um estilo se repetir, como o tom do questionamento existencial dominando o filme, assim como O palhaço, por metáforas sutis e sentimentais.

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