Nota 6.5 / Nathalia Barbosa

“I must apologise if my lady should discover how I spent my holidays”
O diretor Edgar Wright conseguiu fazer um filme de ação com carros, mas sem homens musculosos no comando. Como? Baby, interpretado Ansel Elgort – famoso por seu papel em A culpa é das estrelas – é um jovem rapaz que tem um incrível talento na direção, sendo um ótimo motorista de criminosos. Baby representa uma fuga perfeita: com cortes, mudança de ângulos e movimentos dos personagens com as músicas que compõem suas trilhas sonoras – que, aliás, estão por toda parte de sua enorme coleção de Ipods – entende cada detalhe de um plano criminoso; é um verdadeiro demônio no volante.
Seu trabalho é um pagamento à dívida do mafioso Doc (Kevin Spacey). Ao longo do filme, o motorista vai se complicando cada vez mais nesse submundo, até que não vê nenhuma saída desse tipo de trabalho. Tendo de lidar com os assaltantes que Doc contrata para fazer os trabalhos, Baby tem de conviver com todo tipo de estereótipo de criminoso: Buddy (Jon Hamm) é um homem fortão legal, mas que muda completamente quando alguém lhe desagrada, Darling (Eiza González) é a sedutora criminosa ousada e Bats (Jamie Foxx) é o cara radical e com enorme sede de matar.
No bastidor do trabalho excêntrico de Baby, descobrimos que há uma vida de traumas e afetos com Joseph (CJ Jones), o “pai” adotivo já que o demônio motorista perdera a família muito cedo em um acidente de carro, e Debora, a garçonete da lanchonete onde Baby compra seus cafés todos os dias e que lhe chama atenção com as músicas que cantarola. Após se conhecerem, tentam perseguir um sonho de dirigir pela estrada abandonando suas vidas complicadas.
Com uma ótima montagem e trilha sonora, “Em ritmo de fuga” consegue se salvar apesar de estarmos saturados com tantos filmes de ação envolvendo carros. Nessa proposta musical, até o baixista do Red Hot Chili Peppers esteve envolvido, mas Flea, dessa vez, afasta-se de seu trabalho oficial para interpretar um personagem de curta participação. Eu diria que o longa de Wright é um respiro diante de tantos Velozes e Furiosos que enchem as salas de cinema.

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