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Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída

Nota: 8 / Nathalia Barbosa

O “Eu” ao início do título do filme idealizado pelo diretor alemão Uli Edel dá a ideia de autobiográfico, aproximando-se do livro. Porém, para quem espera um tom confidente materializado em voz off pode se decepcionar.

A seleção para o roteiro, feita por Edel e os jornalistas Kai Herman e Horst Rieck, que colheram os depoimentos de Christiane durante seu julgamento pela polícia alemã, dando origem  ao livro, reduziu muita coisa. O longa mostra uma Christiane (Natja Brunckhorst) aventureira e logo no início já foca em sua ida à boate Sound, com a amiga Kessi (Ellen Esser), considerada a mais moderna de Berlim.

Não há a mesma contextualização do livro – um conjunto de prédios chamado Gropius onde não há espaço para lazer de crianças, um pai abusivo que espanca as filhas e a esposa, tendo vergonha da própria família, nem do desencantamento de Christiane ao se mudar do campo para a cidade.  A grande atuação de Natja consegue transmitir a sensação de desamparo da jovem nessa época, mas não é suficientemente forte como a crítica social do livro que expõe várias problemáticas relacionadas a frustrações oriundas de uma sociedade de consumo pós-guerra.

Na primeira ida de Christiane F. à Sound, ela já conhece Detlef (Thomas Haustein) e apesar de resistir a muitas coisas que a boate lhe oferecia, tendo certo juízo de que aquilo era errado, a adolescente logo se rende aos encantamentos de perigos que lhe prometem uma fuga da realidade.

Há, então, uma linda sequência de um roubo com seu grupo de amigos a um shopping: adolescentes frustrados correndo e caindo em meio a vitrines de estética clean. Era a exposição do choque entre liberdade e lugares cada vez mais higienistas e padronizados enquanto toca “Heroes”, de David Bowie, representando a ideia daquele que faz algo extraordinário ao menos um dia. Para alguns, pode soar como uma inspiração a “As Vantagens de Ser Invisível”, escrito e dirigido por Stephen Chbosky.

A questão é que tudo fica trash quando todos são apresentados a uma droga mais pesada em moda na época: ironicamente, a heroína. Após um show de Bowie — o filme realmente conta com a participação do artista, ídolo da protagonista na vida real — o qual Christiane vai com seu amigo Frank, o mais viciado da turma, ela decide experimentar após arrumar a droga para seu amigo que estava em crise de abstinência. A narrativa, a partir deste ponto, foca na degradação de jovens que se prostituem para suprirem a “necessidade” de heroína.

O que temos, então, são cores frias em cenários espalhados pela estação de metrô Zoo, onde drogados fazem qualquer coisa pela droga e a morte dos viciados passar a ser o cotidiano publicado pelos jornais. Apesar da falta de contextualização, deixando o filme moderadamente raso, e encurtamento da trajetória de Christiane — o filme, por exemplo, não mostra seu relacionamento com Atze —, a mensagem ainda é objetiva: drogas não valem a pena. Mas para quem, mesmo assim, achou o filme pesado, isso é quase nada se comparado ao livro.

   

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NETFLIX: Harry e Sally – Feitos um Para o Outro (Rob Reiner, 1989)

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NOTA: 7,5 / Renato Furtado

“Harry e Sally – Feitos um Para o Outro” não é um clássico das comédias românticas à toa. Todos os clichês estão lá: o casal que, a princípio, não consegue sequer aguentar a companhia um do outro; as dificuldades; as reviravoltas; a paixão; e os longos passeios repletos de diálogos ora espirituosos, ora sinceros, daqueles que vem de lá de dentro do coração. Por outro lado, o filme une a escrita de Nora Ephron, a direção de Rob Reiner e a performance de Meg Ryan.

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NETFLIX: Sing Street – Música e Sonho (John Carney, 2016)

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NOTA: 8 / Renato Furtado

Com a banda montada, os acordes soando e o microfone em sua mão, o jovem Conor (Ferdia Walsh-Peelo) vê o ginásio da escola ser tomado por luzes, bandeiras, sorrisos e, enfim, pela concretização de seus desejos: estão lá a moça que ama, os pais, juntos novamente, e o seu irmão mais velho, seu melhor amigo e confidente. Mas, como ele bem sabe, a realidade, às vezes, derrota o sonho. Entre melancolia, humor, amor e música, descobrimos o caminho de Conor em “Sing Street – Música e Sonho”.

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O Homem que Caiu na Terra (Nicolas Roeg, 1976)

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NOTA: 8 / Nathalia Barbosa

“O homem que caiu na Terra” é uma adaptação do romance de Walter Trevis feita pelo cineasta britânico Nicolas Roeg. O longa ganha destaque por ser um dos trabalhos mais extensos de David Bowie no cinema e, sendo 2016 um ano emblemático para os fãs do camaleão do rock, não poderíamos deixar de lembrar do homem que encerrou sua passagem aqui neste planeta.

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Frank (Lenny Abrahamson, 2015)

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NOTA: 7 / Nathalia Barbosa

Letras sem sentido, esquisitices, espetacularização da bad e do estranho, Twitter, Youtube, música. Tudo isso, você encontra na comédia hipster “Frank”: um longa de humor sutil, com um pouco de drama, do diretor irlandês Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack; Adam & Paul). Continuar lendo “Frank (Lenny Abrahamson, 2015)”

Desaparecido – Um Grande Mistério (Costa-Gavras, 1982)

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NOTA: 8,5 / Renato Furtado

“O erro de todo americano é pensar que você precisa cometer um crime para ser preso”, ouve Ed Horman (Jack Lemmon) logo após chegar ao Chile – dias depois do golpe militar que derrubou o presidente eleito Salvador Allende, mergulhando o país em uma das ditaduras mais sanguinárias e brutais da história. Em “Desaparecido”, Ed, ao lado de sua nora Beth (Sissy Spacek) precisa investigar por conta própria o sumiço de seu filho. Continuar lendo “Desaparecido – Um Grande Mistério (Costa-Gavras, 1982)”

O Convite (Karyn Kusama, 2016)

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NOTA: 7,5 / Renato Furtado

Will (Logan Marshall Green), sentado em um dos degraus de sua antiga casa, mal ouve o que Claire tem a dizer. Tudo o que ela fala se perde no ar porque Will não consegue tirar os olhos de Pruitt (John Carrol Lynch), um misterioso desconhecido que acaba de adentrar a casa. Aparentemente, o grande homem é dócil, mas Will sabe que essa não é a verdade. “O Convite”, assim, nos impõe constantemente o limiar entre a realidade e a loucura. Continuar lendo “O Convite (Karyn Kusama, 2016)”

Ninguém mais aguenta Frozen!

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Não parece, mas daqui há pouco mais de dois meses, Frozen – Uma Aventura Congelante vai celebrar dois anos desde sua estreia nos Estados Unidos, que aconteceu no dia 22/11. De mansinho, com a ajuda do boca a boca e da publicidade positiva causada pela repetição exaustiva da canção tema Let it Go, o filme caminhou para se tornar a animação mais bem sucedida da história da Disney. Embora 2013 seja distante, a sensação é de que a história da rainha Elsa e de sua irmã Anna acabou de desembarcar nos cinemas.

Entretanto, enquanto as criancinhas MENINAS DESCONTROLADAS PATROCINADAS POR SEUS PAPAIS BOBÕES continuam vibrando em assistir ao filme pela décima vez ou comprar os milhares de artigos relacionados ao desenho, uma grande parcela do público, incluindo este que vos escreve, NÃO AGUENTA MAIS FROZEN. E a culpa é da própria Disney. Ao ver a mina de ouro que tinha nas mãos, a empresa direcionou todos os seus investimentos para a rainha do gelo, transformando cada canto de seu império em uma filial de Arendelle, o reino de Elsa.

Os mais de U$ 1.200.000 bilhões arrecadados nas bilheterias mundiais apontaram: a Disney tinha acertado. Havia aprendido com os erros de A Princesa e o Sapo, um bom filme que se perdeu em meio à euforia do público por apresentar a primeira princesa negra da empresa e ofereceu uma história pouco inspirada. Com Enrolados, o primor técnico e a emoção se combinaram. O público, entretanto, não se empolgou tanto e o filme rendeu menos da metade da bilheteria de Frozen. Aqui no Brasil, muitas pessoas TORCEM O NARIZ (piada de tiozão) para o filme por causa da HORRENDA também chamada de PIOR DE TODOS OS TEMPOS dublagem de Luciano Huck para o protagonista (mas dublagem é um assunto para outro post).

Com os cofres cheios de dinheiro, a empresa do ratão não demorou para mudar seus planos e direcioná-los para toda sorte de produtos frozenzíficos. Os parques de Walt Disney World em Orlando foram preenchidos de verdadeiras gambiarras, atrações montadas às pressas para satisfazer os desejos de quem viajava para lá apenas na esperança de ver as irmãs recém descobertas. Coisas curiosas aconteceram, mas com certeza UM GALPÃO DE GELO ONDE CRIANÇAS BRINCAVAM NO GELO (NÃO ERA NEVE, ERA GELO) definitivamente ganhou o prêmio de maior bobeira da estação.

No meio de 2014 é lançado um curta-metragem chamado Frozen: Febre Congelante, feito com sobras de cenas e aproveitamento de planos já criados para o primeiro filme (NO MAIOR ESTILO CHAVES) apenas para nos fazer de bobos e não deixar as crianças esquecerem quem era a nova rainha do pedaço. No início de 2015, o anúncio que todos esperavam: Frozen 2 estrearia em 2017. Sinal dos tempos.

Não me entendam mal! Acho Frozen um bom filme. Na minha opinião, inferior à Enrolados, mas ainda sim, muito bom. O problema é que a Disney tem milhares de outros clássicos muito mais legais e interessantes do que esse filme de gelo, com um nome gringo que faz com que papais e mamães achem que “Frozen” é uma das personagens. “O filme da Frozen”; “A boneca da Frozen”… POR FAVOR! Ninguém aguenta mais a Frozen…

O sucesso do filme é caso de estudo de vários especialistas. Mas no fim das contas, não importa se eu não gosto, se um ou dois, ou três, ou TODOS OS pai não curte muito, as crianças estarão vibrando por Olaf e cia. O que podemos fazer em relação à isso? Alguém tem uma opinião? Quer saber…. let it go. 

Caio César

 

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